Sophia de Mello Breyner Adresen
Uma vida à procura da verdade e da beleza
Com 84 anos de idade morreu, no dia 2 de Julho, em Lisboa, Sopfia de Mello Breyner Andresen. A obra que nos deixa, em poesia e em prosa, atesta o lugar entre os maiores da literatura portuguesa de todos os tempos. Na sua vida serviu com perseverança e coerência a verdade e a beleza.
Nasceu no Porto, no dia 6 de Novembro de 1919. Filha de João Henrique Andresen e de Maria Amélia de Mello Breyner, uma leitora assídua e que constantemente motivava a filha Sophia para a boa leitura.
O exemplar sentido de justiça de Sophia, bem como a coragem de que sempre deu provas ao longo da sua vida, são qualidades que nunca escassearam nos vários ramos da sua família. Numa entrevista, aos 81 anos de idade, afirmava: “Gostaria que se realizasse a justiça social, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres. Mais justiça para os pobres e menos ambição para os ricos”.
A infância e a adolescência passou-a na quinta portuense do Campo Alegre, adquirida pelo seu avô Andresen no final do século XIX. “Um território fabuloso”, assim a evocaria mais tarde a própria autora. Não se trata simplesmente de uma lembrança fantasiosa de criança, era de facto uma área extensa. Uma parte do que dela resta é hoje o Jardim Botânico do Porto. “Era tão grande a Quinta dos Andresen que o filho primogénito, João Henrique, pai de Sophia, não precisava de galgar os muros para atirar à caça de arribação”, escrevia Fernando Assis Pacheco na “Visão”, em 1995.
A família tinha o costume de organizar lindas festas pelo Natal. Foi nesse clima que Sophia começou a contactar com a poesia. Tinha três anos e ainda não sabia ler, mas um empregada doméstica, desgostosa por ver a menina excluída do elenco dos artistas, ensinou-a a recitar “A Nau Catrineta”.
A sua verdadeira iniciação na poesia portuguesa, ficou a devê-la, no entanto, ao avô materno, Tomás de Mello Breyner, que lhe deu a ler Camões e Antero de Quental.
Em muitos poemas e contos, Sophia faz referência à Quinta do Campo Alegre, sem esquecer a casa de férias na praia da Granja, onde a família passava os verões, “casa branca em frente do mar enorme”, diz o verso inicial de um poema do seu livro de estreia.
Os estudos fê-los no Colégio do Sagrado Coração de Maria, no Porto, onde estudou dos 7 aos 17 anos. Sempre recordou, em muitas entrevistas, com gratidão e apreço as educadoras do colégio, em especial a sua “óptima professora de português”, D. Carolina.
Desde os doze anos que escreve versos e em 1940 publicou os seus primeiros poemas nos “Cadernos de Poesia”. O primeiro livro surge em 1944 e intitulava-se simplesmente “Poesia”. Aqui ficam alguns “recortes poéticos” de Sophia: ” E por isso em cada gesto ponho solenidade e risco”, ” Cortaram os trigos. Agora a minha solidão vê-se melhor”, ” Odiei o que era fácil, procurei-me na luz, no mar no vento”.
Em 1946, casou com o advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares e radicou-se definitivamente em Lisboa. Tiveram cinco filhos.
Na segunda metade dos anos cinquenta, Sophia e Francisco Sousa Tavares começam a manifestar cada vez mais a sua oposição ao regime de Salazar. Em muitos poemas surgem alusões às suas opções políticas. Apoiam a candidatura de Humberto Delgado, em 1958. Anos mais tarde, em 1965, subscrevem o célebre “Manifesto dos 101″, um documento com fortíssimas críticas ao regime, redigido por um grupo de católicos.
Ainda antes do 25 de Abril, Sophia integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Chegou finalmente como escreve Sophia, o momento da Revolução e da “poesia descer à rua”.
Em 1975, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto, nas listas do Partido Socialista. Esta breve experiência parlamentar pôs termo a uma longa e empenhada vida cívica e política e dedicou os últimos 30 anos da sua vida à escrita. Apesar disso, sempre que as causas o justificavam não deixou de intervir publicamente. Recorde-se, a título de exemplo, o apoio à causa timorense, em 1991 e nos anos seguintes. Escreveu então: “A muitos Timor parecerá pequeno e distante. No entanto, é em Timor que neste momento se trava a luta pela dignidade humana”:
Numa das últimas entrevistas afirmava: “Às vezes ao tentar dormir, digo coisas a Deus. Recentemente confessei-me e senti uma alegria diferente. (
) Tenho pena por não ter ido a lugares aonde agora já não conseguirei ir. À Terra Santa, por exemplo”. Nesta mesma entrevista afirmava que o maior pecado ” é não pagar o justo a quem o merece” e a maior virtude “é o amor concreto ao próximo”.
Um dia escreveu: “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar
”. O que sempre moveu Sophia foi a luta pela dignidade humana. A partir das suas profundas convicções de fé católica, procurou sempre e só servir a verdade e a beleza.
Nasceu no Porto, no dia 6 de Novembro de 1919. Filha de João Henrique Andresen e de Maria Amélia de Mello Breyner, uma leitora assídua e que constantemente motivava a filha Sophia para a boa leitura.
O exemplar sentido de justiça de Sophia, bem como a coragem de que sempre deu provas ao longo da sua vida, são qualidades que nunca escassearam nos vários ramos da sua família. Numa entrevista, aos 81 anos de idade, afirmava: “Gostaria que se realizasse a justiça social, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres. Mais justiça para os pobres e menos ambição para os ricos”.
A infância e a adolescência passou-a na quinta portuense do Campo Alegre, adquirida pelo seu avô Andresen no final do século XIX. “Um território fabuloso”, assim a evocaria mais tarde a própria autora. Não se trata simplesmente de uma lembrança fantasiosa de criança, era de facto uma área extensa. Uma parte do que dela resta é hoje o Jardim Botânico do Porto. “Era tão grande a Quinta dos Andresen que o filho primogénito, João Henrique, pai de Sophia, não precisava de galgar os muros para atirar à caça de arribação”, escrevia Fernando Assis Pacheco na “Visão”, em 1995.
A família tinha o costume de organizar lindas festas pelo Natal. Foi nesse clima que Sophia começou a contactar com a poesia. Tinha três anos e ainda não sabia ler, mas um empregada doméstica, desgostosa por ver a menina excluída do elenco dos artistas, ensinou-a a recitar “A Nau Catrineta”.
A sua verdadeira iniciação na poesia portuguesa, ficou a devê-la, no entanto, ao avô materno, Tomás de Mello Breyner, que lhe deu a ler Camões e Antero de Quental.
Em muitos poemas e contos, Sophia faz referência à Quinta do Campo Alegre, sem esquecer a casa de férias na praia da Granja, onde a família passava os verões, “casa branca em frente do mar enorme”, diz o verso inicial de um poema do seu livro de estreia.
Os estudos fê-los no Colégio do Sagrado Coração de Maria, no Porto, onde estudou dos 7 aos 17 anos. Sempre recordou, em muitas entrevistas, com gratidão e apreço as educadoras do colégio, em especial a sua “óptima professora de português”, D. Carolina.
Desde os doze anos que escreve versos e em 1940 publicou os seus primeiros poemas nos “Cadernos de Poesia”. O primeiro livro surge em 1944 e intitulava-se simplesmente “Poesia”. Aqui ficam alguns “recortes poéticos” de Sophia: ” E por isso em cada gesto ponho solenidade e risco”, ” Cortaram os trigos. Agora a minha solidão vê-se melhor”, ” Odiei o que era fácil, procurei-me na luz, no mar no vento”.
Em 1946, casou com o advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares e radicou-se definitivamente em Lisboa. Tiveram cinco filhos.
Na segunda metade dos anos cinquenta, Sophia e Francisco Sousa Tavares começam a manifestar cada vez mais a sua oposição ao regime de Salazar. Em muitos poemas surgem alusões às suas opções políticas. Apoiam a candidatura de Humberto Delgado, em 1958. Anos mais tarde, em 1965, subscrevem o célebre “Manifesto dos 101″, um documento com fortíssimas críticas ao regime, redigido por um grupo de católicos.
Ainda antes do 25 de Abril, Sophia integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Chegou finalmente como escreve Sophia, o momento da Revolução e da “poesia descer à rua”.
Em 1975, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto, nas listas do Partido Socialista. Esta breve experiência parlamentar pôs termo a uma longa e empenhada vida cívica e política e dedicou os últimos 30 anos da sua vida à escrita. Apesar disso, sempre que as causas o justificavam não deixou de intervir publicamente. Recorde-se, a título de exemplo, o apoio à causa timorense, em 1991 e nos anos seguintes. Escreveu então: “A muitos Timor parecerá pequeno e distante. No entanto, é em Timor que neste momento se trava a luta pela dignidade humana”:
Numa das últimas entrevistas afirmava: “Às vezes ao tentar dormir, digo coisas a Deus. Recentemente confessei-me e senti uma alegria diferente. ( ) Tenho pena por não ter ido a lugares aonde agora já não conseguirei ir. À Terra Santa, por exemplo”. Nesta mesma entrevista afirmava que o maior pecado ” é não pagar o justo a quem o merece” e a maior virtude “é o amor concreto ao próximo”.
Um dia escreveu: “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar ”. O que sempre moveu Sophia foi a luta pela dignidade humana. A partir das suas profundas convicções de fé católica, procurou sempre e só servir a verdade e a beleza.
addorei oque escreveram sobre a sophia………………
adorei o que disseram da Sophia …Eu gosto muito da maneira como falam da minha escritora perferida …
Eu acho que a sophia de Mello Breyner foi uma grande escritora escreveu livros lindissimos e eu acho que ela vai ficar sempre no nosso coração e na história da leitura!
Magnífica, magnífica.
Simplesmente venero.a !
Encontro nela alguém a quem posso confiar, a quem a junção das minhas palavras soa a algo, não são apenas notas demúsica, consegues ouvir? São algo de mais doce tornado melodia, em que, tambem tu, conseguirias ouvir aquilo que tanto procuras. Porque, afinal, no meio de tanto… procuro tão pouco. Sabe, Sophia? Adoro.a.
Eu acho que a Sophia de Mello Breyner Andresen é espectacular eu sou uma grande fã dela , ela escreve livros lindissímos principalmente “A menina do mar”.
Fez bons livros foi 1 boa escritora
A sophia foi uma grande escritora. vai ficar para sempre na historia!
a Sophia foi uma grande escritora
Simplesmente adoro os livros dela.