2004/11/06

Irmão João de Taizé

 

O Irmão João vive, em Taizé, desde há 15 anos. Conta-nos como surgiu a sua vocação, fala-nos do segredo de Taizé e do encontro europeu, que no final deste ano se realiza em Lisboa.

Nasceu em Moçambique, viveu em Londres, Paris e Lisboa.  Estudou na Universidade Nova de Lisboa, onde se licenciou em economia. Empenhou-se na Pastoral Universitária e também no grupo de jovens da paróquia de Oeiras.Um dia, um padre amigo falou-lhe de Taizé e em 1988 com uma irmã e um irmão passaram três dias naquele lugar. "Foi uma experiência – explica – que me marcou muito, senti-me logo em casa. A oração tocou-me muito, havia espaço de abertura, de crescimento em Deus e pude falar com um irmão sobre a minha inquietação vocacional".

Depois desta primeira ida a Taizé, voltou em 1989 e ficou durante duas semanas, uma em retiro de silêncio. Vem, então, para Portugal e termina o curso de economia. Regressou a Taizé como voluntário. "Em Taizé – diz o Irmão João – senti-me livre! Taizé tocou-me pela sua abertura, pela vida comunitária, que acontecia e por aí eu poder partilhar com os jovens que vinham de todo o mundo".

Neste tempo que permanece em Taizé, tem estado sempre muito ligado ao acolhimento e à introdução bíblica. Trabalha mais de perto com os romenos, por isso teve de aprender a falar o romeno.

O que faz com continuem a acorrer a Taizé tantos jovens de países e confissões religiosas tão diversas? " É misterioso – responde o Irmão João – como é que Deus fala ao coração das pessoas? E como é que alguém percebe a Sua voz? Penso que o farol é a alegria. A nossa oração é muito simples porque recebemos gente muito diversa. O desafio da oração é a abertura de espírito para se estar na oração de uma forma muito aberta, para encontrar algo de novo, mesmo numa "história" que já ouvimos muitas vezes".

O segredo de Taizé passa muito pelo modo como ali se reza e aprende a rezar."A oração é tranquila – explica – calma, com poucas palavras… As pessoas estão cansadas de muitas palavras e encontram na oração de Taizé um momento para descansar em Deus".

Sobre a sua própria consagração total, o Irmão João confidencia: "Eu, a certa altura, percebi que se Deus me deu tudo, eu tinha que me questionar como lhe poderia dar tudo? Nunca tive uma imagem romântica da vida consagrada. Há também momentos difíceis, mas o importante é viver com intensidade e fidelidade as coisas pequenas de cada dia e aí descobrir algo de novo".

Há 27 anos começaram os encontros europeus. Realizam-se logo após o Natal, porque há férias escolares em toda a Europa. Nas férias de Verão o acolhimento é feito em Taizé. Além disso tem uma carga simbólica, é Inverno e procura-se viver a Primavera no Inverno.

Está a decorrer em bom ritmo a preparação do encontro de Lisboa, no final deste ano de 2005. "Os jovens – afirma o Irmão João – vão chegar no dia 28 de Dezembro e vão ser distribuídos por paróquias. Nos dias seguinte,  vão estar em oração e actividades nas paróquias durante as manhãs e depois durante as tardes na FIL, no Parque das Nações. No dia 31 vai haver uma oração pela paz e reconciliação à noite e depois uma grande Festa das Nações. No dia 1 de Janeiro, haverá missa, almoço em família e uma passagem por Fátima."

O programa do encontro e todas as informações podem ser obtidas nas paróquias e nos Secretariados Diocesano da Pastoral Juvenil, ou ainda em: www.taize.fr  e também: www.sdecviseu.web.pt

João Paulo II afirmou uma dia: "Ah, Taizé, essa pequena Primavera! O meu desejo é que o Senhor vos guarde como uma Primavera que desponta e que ele vos guarde simples, na alegria evangélica e na transparência do amor fraterno".

 

Escrito por N.M. em 15:25:53 | Link permanente | Comments (4) |