Sábado, Dezembro 11, 2004

Con. Luís Barreiros

No dia em que se celebrava a Padroeira do Seminário Maior, em 18 de Dezembro de 2002, faleceu, ao princípio da manhã, com 86 anos, o Cónego Monsenhor Luís de Gonzaga Leite Barreiros. Recordamos com gratidão o seu testemunho de vida.

Nasceu na cidade de Viseu, mas ainda muito jovem radicou-se com a sua família na vila de Castendo, hoje, Penalva do Castelo. É um dos dez filhos do Dr. José de Almeida Barreiros Tavares e da poetisa D. Julieta Leite de Figueiredo Barreiros, cuja obra literária os filhos se encarregaram de organizar e publicar em vários volumes.

Terminou o curso do Seminário em 1937. Na festa de despedida dos dez finalistas, Luís Barreiros declamou um poema que tinha pedido à sua mãe para esta ocasião: “Antes que após o Mestre cheguemos à vinha/ cavar a leira fresca, alisar-lhe o torrão,/ uma nova renúncia de nós se avizinha,/ e se a alma sorri, soluça o coração.”

Encontrava-se já há dois anos no Seminário de S.José de Fornos de Algodres, quando foi ordenado padre por D.José da Cruz Moreira Pinto, em 25 de Março de 1939. Continuou neste Seminário, como professor e prefeito, até 1945. Trabalhou, também na paróquia de Fornos de Algodres, na qual imprimiu nova dinâmica à catequese.

Depois, foi professor e vice-reitor do Seminário Maior, primeiro assistente da Caritas Diocesana; director do Colégio da Via-Sacra entre 1954 e 1964; nomeado cónego capitular em 1963; sendo sido designado monsenhor, pela Santa Sé, em 1982. A partir de 1988, foi Vigário Geral e Deão do Cabido.

Em períodos sucessivos integrou o Colégio de Consultores, o Conselho Presbiteral, o Conselho Pastoral Diocesano. Foi assistente Diocesano das Guias de Portugal, vogal da Comissão de Arte sacra, professor em diversas escolas, tendo-se dedicado em especial ao Seminário Maior.

Muitas vezes, nas aulas, ou nas conversas informais recordava a sua mãe e a sua família, constituída por mais 9 irmãos. Contava que mesmo no meio de lutos, responsabilidades, decisões, tudo era discretamente superado, como aconteceu em 1929, quando um incêndio consumiu completamente a casa de Família, em Penalva do Castelo.

Era um padre sempre atento às grandes transformações e às vicissitudos dos tempos, inspirando a todos sentimentos de confiança na vida, em Deus, na família, na igreja, no valor de cada um. Procurava construir em si e ajudava, com perseverança, a construir nos outros uma vida autêntica, à luz e ao calor de um grande ideal.

Dos sacerdotes mais admirados e estimados da diocese, tinha uma cultura invulgar. Ocupado, mas sempre disponível e dedicadíssimo à Igreja. Tinha grande amor ao trabalho pastoral e ao mesmo tempo zeloso na oração e meditação. Rezava trabalhando e trabalha rezando.

Não se pode esquecer a sua humildade e desprendimento das coisas materiais. Sempre vestido modestamente, a pé ou de táxi, lá ía, o Cónego Barreiros, substituir algum pároco, ajudar nalguma pregação, serenar ânimos mais exaltados…

Era um sacerdote que sabia escutar, permanecer diariamente no confessionário, pregar a palavra de Deus, pronunciar palavras de alento aos mais frágeis.

A concluir, fica um poema de Julieta Leite Barreiros, sobre o Natal: “Lá tocaram uma entrada…/ Caminha gente na estrada/ Vai tudo à Missa do galo…/ Só não vai o meu filhinho/ a mais o seu avozinho/ que fica ao lume a guardá-lo”.

Publicado por N.M. em 18:16:45
Comentários

2 Respostas

  1. Manuel Faria diz:

    Muito obrigado. Continue.

  2. Manuel Faria diz:

    Muito obrigado. Continue.

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