Bento XVI

Quantos caminhos há para Deus? Tantos quantas as pessoas
Muitas vezes afirmou que queria defender a fé humilde das pessoas do povo, sem receio de ir contra a presunção dos teólogos, contra a fé acomodada e a nova religião do bem-estar. Proclama a beleza do evangelho de Jesus Cristo, alertando contra a ditadura do relativismo. Unidade, juventude, família, questões da justiça e da paz são imensos os desafios que esperam Bento XVI!
Nasceu a 16 de Abril de 1927, em Marktl am Inn, na Baviera, Alemanha. Os seus pais chamavam-se Maria e José e foi baptizado apenas quatro horas depois de nascer. Cresceu no ambiente rural, sendo o mais novo de três filhos. Para que todos pudessem frequentar a Universidade, fizeram enormes sacrifícios.
O seu pai era polícia, por isso tiveram que mudar muitas vezes de casa, até que a pensar na reforma comprou uma casa, velha e simples, perto de Traunstein. “Nesta casa afirma Ratzinger não sentimos nada a falta do conforto moderno, mas sim a aventura, a liberdade e a beleza dos campos e florestas que a rodeavam e sobretudo o calor humano do seu interior“.
Grande admirador de Mozart, explica: “A música, que tem um grande poder para reunir as pessoas, tinha muito espaço e importância na vida familiar. A arte é fundamental. Só a razão, como se exprime na ciência, não pode ser toda a resposta do Homem e não consegue exprimir todo o ser do homem. A arte é, com a ciência, o maior dom que Deus deu ao Homem“.
Os tempos da sua juventude foram duros. A fé e a educação da sua família prepararam-no para a difícil experiência do regime nazista. Recorda ter visto o seu pároco açoitado pelos nazistas antes da celebração da Santa Missa e de ter conhecido um clima de grande hostilidade em relação à Igreja católica na Alemanha.
Mas precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo, sendo fundamental o papel da sua família que continuou sempre a viver um testemunho cristalino de bondade e de esperança radicada na pertença consciente à Igreja.
De 1946 a 195, estudou filosofia e teologia na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Frisinga e na Universidade de Munique. Em 29 de Junho de 1951, foi ordenado sacerdote.
Um ano mais tarde, Pe. Joseph Ratzinger iniciou a sua actividade didáctica na mesma Escola de Frisinga, onde tinha sido estudante. Prosseguiu a sua actividade de ensino em Bona (1959-1969), em Munique (1963-1966) e em Tubinga (1966-1969). A partir de 1969 foi professor de dogmática e de história dos dogmas na Universidade de Ratisbona, onde desempenhou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.
A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos no âmbito da Conferência Episcopal Alemã, na Comissão Teológica Internacional.
Entre as suas publicações, numerosas e qualificadas, teve particular eco a “Introdução ao cristianismo” (1968), uma colectânea de lições universitárias sobre a “profissão de fé apostólica”.
A série numerosa de publicações continuou abundante e pontual ao longo dos anos, constituindo um ponto de referência para tantas pessoas e sobretudo para quantos estão comprometidos no estudo aprofundado da teologia. Basta pensar, por exemplo, no volume “Conversações sobre a fé” de 1985 e no volume “O sal da terra” de 1996.
Experiência central na vida do Ratzinger, foi a sua participação no Concílio Vaticano II, como”perito”.
Recebeu a ordenação episcopal no dia 28 de Maio de 1977, sendo o primeiro sacerdote diocesano que assumiu, depois de oitenta anos, o governo pastoral da grande diocese da Baviera, de Munique e Frisinga. Escolheu como mote episcopal: “Colaboradores da Verdade”.
O Papa Paulo VI fê-lo Cardeal, no Consistório de 27 de Junho de 1977 e a 25 de Novembro de 1981, João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O seu serviço como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé foi incansável e a sua obra como colaborador de João Paulo II foi contínua e preciosa.
Entre os numerosos pontos firmes da sua obra, destacamos o papel de Presidente da Comissão para a Preparação do Catecismo da Igreja Católica.
A ele foram confiadas as meditações da Via-Sacra de 2005 celebrada no Coliseu. Nesta inesquecível Sexta-Feira Santa, João Paulo II, estreitando a si o Crucifixo, num “ícone” comovedor de sofrimento, ouviu em silencioso recolhimento as palavras daquele que iria ser o seu Sucessor na Cátedra de Pedro. Significativamente, o lema da Via-Sacra foi: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, permanece só; ao contrário, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24). As suas reflexões que ressoaram na noite de Sexta-feira Santa no cenário sugestivo do Coliseu permaneceram impressas nas consciência de todos, sacerdotes, religiosos e leigos: “Não podemos deixar de pensar, na meditação da nona estação sobre quanto sofre Cristo pela sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do santo sacramento da sua presença, em que vazio e maldade de coração muitas vezes ele entra! Quantas vezes celebramos apenas nós próprios sem nos apercebermos dele! Quantas vezes a sua palavra é deturpada e abusada! Quanta pouca fé há em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujidade há na Igreja, e tantas vezes entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-suficiência!“.
Na sexta-feira, 8 de Abril, como decano do Colégio Cardinalício presidiu à Santa Missa das exéquias de João Paulo II, na Praça de São Pedro. “Segue-me!”, foi a palavra-chave, da homilia.
Na manhã de domingo, 24 de Abril, o recém-eleito Papa, Bento XVI presidiu à Eucaristia, na Praça de S.Pedro, em Roma, com a qual deu início à sua missão de pastor universal da Igreja.
Muitas vezes afirmou que queria defender a fé humilde das pessoas do povo, sem receio de ir contra a presunção dos teólogos e contra a fé acomodada da burguesia e a nova religião do bem-estar. Proclama a beleza do evangelho de Jesus Cristo, alertando contra a ditadura do relativismo. Unidade, juventude, família, questões da justiça e da paz são imensos os desafios que esperam Bento XVI!
Um dia numa entrevista perguntaram-lhe: Quantos caminhos há para Deus? Tantos quantas as pessoas