2005/01/08

Frei Roger Schutz

 

 

Convite à reconciliação

 

Realizou-se em Lisboa, nos últimos dias de 2004, o Encontro Europeu de Jovens, promovido pela Comunidade de Taizé.  Mais de 40 mil jovens procuraram encontrar Deus nas suas vidas e tornar-se construtores de paz.

Tudo começou com Frei Roger. Através do seu testemunho de vida e das suas palavras procuramos conhecer melhor a Comunidade Ecuménica de Taizé, "essa pequena primavera".

 

 

Frei Roger, fundador da comunidade de Taizé, dedicou toda a sua vida à busca de caminhos para superar as divisões da cristandade e da família humana. Taizé tornou-se num lugar onde se dirigem centenas de milhares de jovens da Europa e de outros continentes, a fim de orar,  de se preparar para promover a paz e a reconciliação entre a humanidade e tentar compreender o que fazer da própria vida. Oração e empenho social,  ou segundo as palavras do Fundador "luta e contemplação" são os pontos cardeais do Carisma de Taizé.

Em 1940, fervilha a segunda guerra mundial. Frei Roger tem 25 anos e traz consigo o projecto de criar uma comunidade monástica consagrada à reconciliação. Decide deixar a Suíça, país de seu pai, demasiado tranquila, na sua opinião, e vai viver em França, país de sua mãe. Deseja justamente estar onde a guerra é mais cruel.

"Arriscar-se pelos pobres e reconciliar-se com a fé da Igreja Católica" — marcaram toda a vida de Frei Roger. Em Taizé, sul de França, Frei Roger comprou uma casa onde escondia refugiados políticos, especialmente judeus, que escapavam à ocupação alemã. "Quanto mais o homem deseja viver o absoluto de Deus — escreveria ele mais tarde — tanto mais essencial é inserir esse absoluto na desgraça humana".

Ao longo da década de cinquenta, a comunidade de Taizé vai-se expandindo, baseada nos compromissos monásticos. A comunidade conta hoje com mais de oitenta homens, católicos ou de origem evangélica, e de umas vinte nacionalidades diferentes. Pela sua própria existência, é um sinal visível de reconciliação tanto entre cristãos divididos como entre povos separados.

Frei Roger foi convidado a participar no Concílio Vaticano lI, e foi recebido regularmente por João XXIII, Paulo VI, e, actualmente, por João Paulo II. Em 1986, o Papa João Paulo II visitou Taizé e afirmou nessa ocasião: "Eu gostaria de exprimir o meu apreço e a minha confiança com as mesmas palavras simples com o que o papa João XXIII, que tanto vos amava, saudou um dia Frei Roger: 'Ah, Taizé, essa pequena primavera!"

Desde os anos de 1957/1958, Taizé acolhe jovens do mundo inteiro cada vez em maior número. Estes jovens participam nas semanas de encontros inter-continentais, cujo centro de interesse é o aprofundamento das "fontes da fé". Centenas de milhares de jovens ali, têm encontrado  não apenas um sentido para a oração e uma visão universal da Igreja, mas também uma consciência internacional, mais confiança nos povos estrangeiros e atenção aos direitos humanos.

A  preocupação com a reconciliação e a paz está presente em todos os livros de Frei Roger, traduzidos em dez línguas.

Preocupado com o respeito incondicional pela vida humana, Frei Roger organiza, às vezes, manifestações públicas pela paz. Nessas ocasiões, faz-se acompanhar de crianças de vários continentes para indicar que sua manifestação é feita em nome daqueles cujo futuro se acha ameaçado.

"O futuro- afirma Frei Roger – apoia-se, muito mais do que se possa pensar, na vida interior alimentada pela contemplação ou pela beleza da oração em comum, pelo impulso para a reconciliação, por uma vida de simplicidade".

Qual será o segredo de Taizé, para continuar a atrair tantos jovens? "Há mais de quarenta anos – responde Frei Roger- que com os meus irmãos nos perguntamos admirados sobre o porque de tantos jovens virem a Taizé. Muitos trazem dentro do coração a pergunta sobre o que Deus espera deles. Procuramos ser para eles mais homens que procuram escutar do que mestres espirituais. O que mais desejamos para os jovens é que através da oração em comum, da reflexão e do silêncio, na procura das fontes da fé, descubram o sentido da sua própria vida".

 

 

 

 

Escrito por N.M. em 16:04:26 | Link permanente | Comments (3) |