Alcide De Gasperi
"Ou a Europa se une, ou a Europa morre. Se estivermos unidos seremos livres, se estivermos unidos seremos fortes!" - Palavras de De Gasperi, um dos pais da União Europeia. Juntamente com Schuman e Adenauer viveu a unidade da Europa como uma inspiração, um projecto político, uma etapa da história que caminha para a fraternidade universal.
Nasceu em Pieve Tesino, na região de Trento, em 1881, então sob o domínio da Áustria. Licenciou-se em Filologia em Viena. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, De Gasperi tornou-se cidadão italiano e aderiu imediatamente ao Partido Popular Italiano, fundado em Janeiro de 1919 pelo padre siciliano Luigi Sturzo, com o qual estreitou laços de amizade e de comunhão de ideais.
Aos vinte anos escreveu: "O presidente da Federação das Sociedades Operárias Católicas colocou-me no bolso 100 coroas e debaixo do braço duzentos avisos de convocação e mandou-me ir ter com os nossos emigrantes de Voralberg para pregar o verbo da Rerum Novarum; aquilo que se seguiu, entre dificuldades de todos os tipos, bantendo-me com os anarquistas, colhendo aplausos e assobios e sorrisos de compaixão, foram sovas e um bronquite que durou três semanas".
Logo a seguir, encontrou a mulher do seu coração, Francesca Romani, com quem casou. A 21 de Outubro de 1921 escreveu-lhe, de Trento: "Louvo a Deus por te ter encontrado, minha querida Francesca! Sinto que Deus me dá, em ti, a sua recompensa e bênção, após tantas privações, sacrifícios e perseguições por causa dos outros, do meu povo, pelo meu ideal. Tu és o maior dom que Deus me poderia conceder".
Entretanto, o fascismo tornava-se cada vez mais forte, inspirado por Benino Mussolini. Face a esta situação De Gasperi afirmou: "O cristianismo não inspira nem alimenta as ideologias nacionalistas e fascistas; estas, baseando-se essencialmente nos instintos de raça e nas teorias da força e das armas, contradizem a tendência à fraternidade e ao universalismo cristão".
A 9 de Novembro de 1926, o Governador Civil de Roma emanou o decreto de dissolução do Partido Popular Italiano. Começou assim a era fascista.
De Gasperi foi preso em 1926 e condenado a quatro anos de reclusão, reduzidos depois a dois anos e meio. Escrevia assim da prisão aos familiares: "Está tudo nas mãos de Deus Vivam a vida de cada dia, como no-la manda o Senhor, não vos angustieis com o amanhã; Ele provê até mesmo para os pardais do jardim de Gianicolo que entrevejo lá ao longe, através das grades".
Para além do conforto da leitura, tinha sobretudo o da oração, em especial do Terço.
A partir de 1940, logo após ter rebentado a Segunda Guerra Mundial, Alcide De Gasperi começou a preparar o regresso dos católicos à vida política italiana, preparando as bases ideológicas e programáticas do Partido da Democracia Cristã.
Parecia um homem frágil fisicamente, mas sua força interior provinha da sua granítica fé cristã e da graça que ia buscar à oração assídua.
Quando surgiam tentações persecutórias contra os facistas, De Gasperi escrevia: "Não se condenam os fascistas mas o fascismo, a ideia e o método Pacificação no sentido cristão do perdão, sim, mas não a reabilitação dos princípios: isto significaria aceitar uma bomba-relógio no seio do regime democrático".
A 10 de Dezembro de 1945, De Gasperi tornou-se Presidente do Conselho de Ministros, cargo que ocupou até 1953, tendo conduzido a passagem da monarquia à república, evitando dilacerações e convidando à reconciliação.
Não faltaram a De Gasperi, dentro e fora do seu partido, adversários, mas na Itália foi sem dúvida o homem político mais amado e admirado.
Em sintonia com o alemão Adenauer e o francês Schuman foi um dos pioneiros decididos da União Europeia, dando o seu válido e precioso contributo nas primeiras organizações europeias: em 1949, o Conselho da Europa; em 1951 a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, da qual foi o primeiro Presidente; em 1953 a Comunidade Europeia de Defesa.
De Gasperi não se cansava de repetir em todas as sedes: "Ou a Europa se une, ou a Europa morre Se estivermos unidos seremos livres, se estivermos unidos seremos fortes".
Acompanhado pela sua filha Cecília, a 19 de Agosto de 1954, faleceu serenamente na sua casa de montanha, em Sella de Valsugana.











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Simplesmente venero.a !