2005/08/04

Robert Schuman




Republicano, católico e democrata

 

Juntamente com Adenauer e De Gasperi é um dos pais da União Europeia. Três figuras profundamente cristãs, com perfume de santidade conquistada através do empenho político.

 

 

Robert Schuman nasceu em 1886, na cidade do Luxemburgo, numa família francesa da Lorena. Licenciou-se em Direito em 1908 e iniciou a profissão de advogado em Metz, Lorena. Foi com alegria que Robert Schuman, viu esta região, após a Primeira Guerra Mundial voltar a ser território francês, após tantos anos em que esteve anexada pela Alemanha. Iniciou a sua carreira política em 1918, como deputado eleito no Departamento de Mosa. Foi sempre reeleito até 1940, quando rebentou a Segunda Guerra Mundial e a França foi invadida pelos alemães.

Por recusar colaborar com os alemães, foi preso e deportado para a Alemanha. Conseguiu evadir-se em 1942 e participou na Resistência  contra os invasores.

Quando a França se tornou de novo livre, retomou a carreira política. Foi ministro das Finanças em 1946, presidente do Conselho de 1947 e 1948; ministro dos Negócios Estrangeiros durante quatro anos.

Foi Robert Schuman quem lançou a ideia da Comunidade Económica do Carvão e do Aço, cujo tratado foi assinado a 18 de Abril de 1951. No horizonte estava já a União Europeia em todas as suas vertentes, como base segura para a paz.

Schuman foi recebido por Pio XII, João XXIII e Paulo VI. Esteve presente no dia 1 de Novembro de 1950, na definição dogmática da Assunção de Maria ao Céu, na Praça de S.Pedro.

Poucos dias antes da sua morte, a 4 de Setembro de 1963, tinha terminado de escrever o livro "Pela Europa". Nesta obra escreveu: "Sinto ter tido o terrível privilégio de participar activamente na vida política do meu país, numa época particularmente atormentada da sua história e a pesada responsabilidade de orientar, durante vários anos, a sua política externa".

O conceito de democracia de Shuman assemelhava-se à fórmula de Lincoln: "Governo do povo, por meio do povo e para o povo". No livro "Pela Europa", Schuman escreve:"A democracia nasceu no dia em que o homem foi chamado a realizar, na sua vida temporal, a dignidade da pessoa humana, na liberdade individual, no respeito pelos direitos de cada um e com a prática do amor fraterno para com todos. Jamais, antes de Cristo, tinham sido formuladas tais ideias". Acrescentava que "a democracia será cristã ou não será democracia. Uma democracia anticristã será uma caricatura, que resultará em tirania ou na anarquia".

Shuman orientava a sua acção política tendo como referência o Evangelho, numa França que já nessa altura era profunda e aguerridamente laicista. Não surpreende que no dia do seu funeral, a  5 de Setembro de 1963, a França oficial tenha estado ausente e tenha sido pedido ao chanceler da Alemanha, Adenauer, que tinha a anunciado a sua presença em Metz, para que não comparecesse!

Mas Robert Shuman, que a França de De Gaulle se recusou a honrar, pertence à grande história das pessoas que marcam uma época e que conseguem dar-lhe a direcção certa para o bem da humanidade.

Se hoje a Europa tem uma alma e um objectivo, é porque tem as suas raízes são cristãs e a dimensão espiritual passou das grandes figuras originárias até aos nossos dias.

No testemunho dos pais da Europa, como Shuman, é possível vislumbrar a acção silenciosa mas eficaz, materna e inicisiva, do cristianismo operante na história.

 


Escrito por N.M. em 20:50:03 | Link permanente | Comments (1) |