2005/09/13

Konrad Adenauer

 

 
Procuramos conhecer melhor Konrad Adenauer, um dos três fundadores da União Europeia.

 

 


Nasceu em Colónia, em 1867, estudou Direito e ainda muito jovem ingressou no partido alemão de matriz católica, que tinha como referência fundamental de actuação política a Doutrina Social da Igreja.

A Paul Weymar, que escreveu a sua biografia, confidenciou. "As impressões que se têm na casa paterna são decisivas para a vida de um homem. Os meus pais eram pessoas boas e levaram-nos, a nós filhos, a ter uma concepção cristã da vida. Tanto de manhã como à noite rezávamos juntos; ao domingo toda a família ía à Missa…".

"Os princípios de meu pai – continuava Adenauer – eram muito simples: para além do temor de Deus, o sentimento do dever,  a rectidão, a operosidade e a sã ambição que se esforça por executar cada tarefa com todas as energias disponíveis".

Ficou viúvo da sua esposa Emma Weyer, de quem teve três filhos, e passados três anos voltou a casar com Gussie Zinsser.

Com 35 anos, tornou-se Presidente da Câmara de Colónia. Teve também a grande alegria de ver um dos filhos ordenar-se sacerdote. Este filho padre descreve assim a religiosidade de Adenauer: "A religiosidade do meu pai era viril, estável, consistente… Nunca ouvimos palavras hesitantes e ambíguas ao meu pai…  Nunca vimos instabilidade no que se refere às convicções religiosas".

Com o nazismo foi obrigado a demitir-se de Presidente da Câmara e teve mesmo que fugir, refugiando-se no convento beneditino de Maria Laach. Neste lugar estudou e meditou longamente, no ano que ali viveu,  duas encíclicas sociais: a Rerum Novarum, de Leão XIII e a Quadragésimo anno, de Pio XI. Foi muito importante este período, ao ponto de muitas pessoas, que privaram com Adenauer, afirmarem que não se teria podido explicar a sua actividade política sem aquele longo "retiro espiritual" passado no mosteiro a reflectir sobre estes dois documentos do magistério social da Igreja. Afirmaria mais tarde que a Doutrina Social da Igreja lhe dava força para dominar interiormente o medo das ameaças do futuro e lhe apontava caminhos novos e ousados. A íntima serenidade que transmitia, mesmo em momentos de tensão, provinha da confiança na Providência de Deus, alimentada com regulares e frequentes momentos de oração.

Foi preso pela Gestapo, correndo sério risco de vida. Ainda na prisão e ao ser visitado pelo filho Paul, repetia-lhe: "Estamos nas mãos de Deus!".

Coragem, firmeza, paciência, constância e confiança… levaram a que com a acção política de Adenauer e seus colaboradores, Colónia ressurgisse das cinzas e mais tarde a sua responsabilidade estendeu-se a toda a Alemanha Federal. Organizou a União Democrata Cristã, actualmente a CDU. Em tempos tão difíceis, como os do pós-guerra, os pressupostos da acção política de Adenauer eram: "Uma propriedade que liberte o trabalhador da angústia da fome e da miséria; uma casa na qual as crianças cresçam sãs e sem conhecer limitações às suas necessidades  de luz e de Sol; uma liberdade suficiente, já que a personalidade de cada pessoa tem necessidade de tranquilidade e de espaço para se poder desenvolver rectamente. É fundamental a educação cristã da juventude".

Sobre estes pressupostos tão claros Adenauer foi irredutível. A quem o acusava de misturar indevidamente religião e política ele respondeu: "Em vez da concepção materialista do mundo deve surgir novamente a concepção cristã; no lugar dos princípios fundamentais do materialismo temos que colocar os princípios da ética cristã, que devem ser determinantes na construção do Estado e na limitação dos seus poderes, nos direitos e deveres da pessoa, na vida económica e social, nas relações recíprocas dos povos".

Se na Alemanha, após a II Guerra Mundial, cada um pôde comer e saciar-se, vestir-se decentemente e ser realmente livre de viver e de agir, isso deve-se, também, à acção tenaz e sábia de Adenauer. Concluiu assim o seu discurso programático como chanceler: "Toda a nossa obra será animada pelo espírito da civilização cristã ocidental e pelo respeito dos direitos e da dignidade do homem. Nós esperamos conseguir, com a ajuda de Deus, guiar para o progresso o povo alemão, e contribuir para a paz na Europa e no mundo".

Aceitou a proposta de Robert Schuman de dar vida à Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (09 de Maio de 1950). A escolha europeísta de Adenauer, fundada na sua profunda fé cristã, baseava-se na constatação de que só a Europa unidade se encontraria à altura de equilibrar os relacionamentos entre as duas grandes potências da altura: os Estados Unidos da América e a União Soviética e se evitasse para sempre a sombra terrível da guerra.

Apesar de diferenças ideológicas tão acentuadas, através de vários encontros, cultivou uma verdadeira amizade com De Gaulle, reforçando-se o "eixo carolíngio" da Europa Comunitária.

Na década de cinquenta, Adenauer escrevia: "O grande conflito a que assistimos hoje é uma oposição entre diferentes concepções ideológicas: a democrática, baseada em última análise no conceito cristão da liberdade pessoal, e a outra, na qual a colectividade é colocada acima da liberdade individual. Esta ideologia tem as suas raízes no materialismo e conduz ao Estado totalitário. Contudo, é minha convicção de que o mundo só alcançará a paz e a liberdade se triunfar a concepção fundada nos princípios cristãos".

Konrad Adenauer morreu serenamente a 19 de Abril de 1967, com 91 anos de idade. Uma vida gasta pelo bem comum, sendo um dos pioneiros da União Europeia, cujos fundamentos, por mais que queiram negar e esconder,  são os valores cristãos.

 

N.M.

 





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