Cardeal José Saraiva Martins
O cardeal Saraiva Martins esteve em Viseu, nos dias 27 e 28 de Maio, para presidir em nome do Papa, à beatificação de Madre Rita. É Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, ou seja, responsável pelo “registo civil” do Céu, com uma população em crescimento contínuo.
José Saraiva Martins nasceu a 6 de Janeiro de 1932 em Gagos de Jarmelo, Guarda, sendo o sexto de oito filhos e dos quais a irmã mais nova é missionária em Angola. Tendo entrado ainda jovem para a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria (Claretianos), foi ordenado sacerdote a 16 de Março de 1957. Docente de Teologia e Reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana, durante o período da sua actividade académica publicou vasta e notória obra de teologia. Em 1988, foi nomeado arcebispo secretário da Congregação para a Educação Católica. Desde 30 de Maio de 1998 é Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. A 21 de Fevereiro de 2001, João Paulo II fê-lo cardeal, atribuindo-lhe o título da basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Entre as suas inúmeras publicações, recordamos o recente A Igreja no Limiar do Terceiro Milénio. Reflexões Teológico-Pastorais (2001) e Como se faz um Santo (2005).
O cardeal Bernardin Gantin, a sorrir, um dia afirmou: “No Vaticano temos um Santo Padre e um ‘padre dos santos’”. Tratava-se do Cardeal Saraiva Martins, que até à Páscoa de 2005 tinha levado a bom porto 545 beatos e 203 santos.
Uma característica marcante, no testemunho do Cardeal Saraiva Martins, e que transparece no seu rosto sereno e cheio de bondade, é o grande amor e devoção a Nossa Senhora. Bebeu esta devoção, ainda muito pequeno, com o leite materno. Conta-nos:”A minha mãe mandava-me ajoelhar diante de um quadro mariano e dizia-me que, se eu rezasse com o coração, Ela me daria aquilo de que eu mais gostava. Era de rebuçados que eu mais gostava. E de facto, mal eu começava a rezar, caía-me uma mão cheia de rebuçados pela cabeça abaixo. Naturalmente, eu estava convencido de que era Nossa Senhora que os mandava, não a minha mãe, que estava atrás de mim. Como é maravilhosa e eficaz a pedagogia materna!”.
Não surpreende que quando lhe perguntam a que santo se dirige nas suas orações ele diga: “Dirijo-me com mais frequência à Virgem Santíssima, sem esquecer Santo António”.
Entre as inúmeras beatificações e canonizações em que tem participado, recorda especialmente a canonização de Gianna Beretta Molla: “Estava presente aquela menina, agora já uma bela senhora, por quem, para lhe salvar a vida – quando a trazia ainda no ventre – decidiu oferecer generosamente a sua própria vida. A presença desta filha na canonização da mãe foi algo que me comoveu verdadeiramente”.
Afirma que é hoje importante redescobrir a família, o trabalho profissional e a responsabilidade pelo bem comum: “Quem regressa a casa à noite cansado do trabalho, cheio de satisfações ou contrariedades, pode ter a tentação de ligar a televisão e isolar-se do mundo que o rodeia: mas ele sabe que, precisamente nesse momento, começa a parte mais importante da sua jornada, o estar em família, partilhar alegrias e dificuldades, o interesse por aquilo que aconteceu aos outros membros da família, a ajuda nos trabalhos domésticos ou nos trabalhos escolares. Não tenho dúvidas em considerar heróica a perseverança nesta alegre dádiva de si por amor de Deus e por amor da própria família”.
Sobre o que significa a santidade o Cardeal ensina-nos que “consiste na perfeita união com Cristo”, “em fazer as coisas ordinárias da vida de modo extraordinário”, “é uma obra de artesanato divino”, “um projecto personalizado para cada pessoa”, “o santo é um ser profundamente humano: não tem um coração para amar a Deus e outro para amar os homens e o mundo”, “santidade é a plenitude da humanidade”, “o santo é uma obra prima do amor e da graça de Deus e da liberdade humana”.
Confessa que o seu sonho era ser sacerdote em terras de missão, mas os desígnios de Deus foram outros e desde jovem seminarista considera-se “cidadão adoptivo” da Cidade Eterna. Todos os domingos, em que não tem obrigações oficiais, é normal encontrá-lo numa paróquia ou num santuário, a celebrar como qualquer pároco e em contacto afável, simples e sempre cheio de bom humor com as pessoas.
N.M.