Tuesday, November 7, 2006

Maria Rosário Carneiro

Tem 58 anos de idade, é licenciada em Ciências Sociais e Políticas e é mãe de nove filhos. Sendo deputada do PS vota “não”, no referendo sobre o aborto, pois está em causa o “direito a viver”. Não hesita em afirmar que o que há de mais gratificante na vida é ter-se filhos, educá-los e vê-los crescer!

Casou há 33 anos com o ex-ministro da Educação, Roberto Carneiro, apesar de na primeira impressão o ter achado mandão. Foi o gosto pela música que os aproximou.

Eleita como deputada independente faz parte do Grupo Parlamentar do PS. A sua posição sobre o aborto não mudou: “A minha opinião é pública: voto contra a liberalização do aborto. Esta é uma posição constante desde que comecei a ter intervenção política. No entanto, no primeiro debate sobre o aborto, afirmei que não julgava as mulheres que recorrem à prática da IVG. Existe um bem que tem de ser protegido (a vida) e por isso existe um conflito de interesses (com a interrupção da gravidez). Perante isto, devo privilegiar aquele que é mais frágil, que não tem capacidade de se defender. Mas acho que não se deve perseguir a mulher, mas sim encontrar saídas”.

O aborto não pode ser considerado um direito, “pois estamos a falar do direito a viver”. Define a “vida como um milagre, uma dádiva”.

Recorda o acidente dramático de há 25 anos, em Camarate, que, vitimou, entre outras pessoas, Sá Carneiro e o seu irmão Adelino Amaro da Costa: “Soube da notícia pela televisão, como todo o país. Estava de cama, a meio de uma gravidez muito difícil, que se seguiu à perda de dois bebés. Tinha uma fixação tão grande no bebé que só chorei a morte do meu irmão depois do parto”.

Tem nove os filhos, Pedro, o filho mais velho tem 32 anos; António, o mais novo, 17. Perdeu dois bebés: “Foi difícil – explica Rosário Carneiro - sobretudo com o primeiro, que estava completamente formado. Foi terrível o que me aconteceu a mim, de sofrimento, de esvaimento, da debilidade em que fiquei”.

As tarefas de casa são assumidas por todos: “Os meus filhos, desde pequenos, têm a incumbência de ter o quarto em ordem. Fiz coisas não muito ortodoxas. Dava banho a todos ao mesmo tempo, dava-lhes comida na banheira para saírem já lavadinhos”.

Sobre a educação dos filhos refere a importância da catequese, da aprendizagem precoce de inglês e da música:“Tanto eu como o meu marido aprendemos precocemente música. Não determinámos as suas escolhas, mas condicionamos o seu percurso”. Não é de estranhar que Joana, a terceira filha do casal, tenha abandonado Medicina para ser chefe de orquestra.

Não hesita em afirmar que “o que há de mais gratificante na vida é ter-se filhos, educá-los, vê-los crescer … mas é também a tarefa mais difícil de toda a vida. Porque nunca se sabe se se fez bem”.

Expresso/Única (14.10.2006)

Posted by N.M. at 18:29:07 | Permalink | Comments (3)