Madre Rita

No dia 28 de Maio, às 16.00 h, na Sé de Viseu, será proclamada beata a Serva de Deus, Irmã Rita Amada de Jesus, filha desta Igreja Diocesana, em celebração presidida pelo cardeal-legado do Santo Padre, D. José Saraiva Martins.
Neste tempo complexo e confuso que atravessamos, o testemunho de Madre Rita é um apelo e uma provocação a sair da mediocridade de vida, a viver a nossa fé com maior intensidade.
Madre Rita foi uma mulher cristã da Igreja de Viseu, nascida a 5 de Março de 1848, na paróquia de Ribafeita, onde veio a falecer, na noite de 6 para 7 de Janeiro de 1913.
A sua existência esteve toda centrada em Jesus Cristo, já desde tenra idade. É prova disso o enlevo e a devoção que, a partir dos 7 anos, mostrava por Jesus na Eucaristia, frequentando a Missa e correndo para o Sacrário da Igreja Paroquial, onde fazia a oração reparadora e passava horas em contemplação.
Gostava muito do silêncio e cultivou especial devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Nossa Senhora e S. José. Aos 18 anos tornou-se Apóstola do Rosário em prol da família. Andava de aldeia em aldeia, rezava e ensinava a rezar o terço nas capelas, procurava as pessoas especialmente mulheres e jovens que levavam vida menos digna e tudo fazia para que Deus as trouxesse ao bom caminho, promovendo assim a dignidade da mulher.
Por considerar a família como fonte de vida, elemento insubstituível para a formação humana e cristã, tornou-se protagonista e pioneira da educação de crianças e jovens. Efectuou peditórios a fim de poder sustentar crianças pobres e a todos amou com coração indiviso.
Este seu carisma levou-a a fundar uma obra, em 1880 - o Instituto Jesus, Maria e José – dedicada à educação com vista à formação de boas famílias. Por este motivo foi perseguida pela República, que encerrou todas as Casas Religiosas. Nessa altura, refugiou-se na sua aldeia e enviou para o Brasil um primeiro grupo de companheiras para aí continuarem a missão.
O fruto duradoiro da sua amorosa atenção ao rosto de Jesus misericordioso são as Irmãs de Jesus, Maria e José, que ainda hoje continuam a viver e prolongar o seu carisma, que, como ela, procuram testemunhar o primado da caridade, o serviço aos humildes, aos pobres e às famílias.
É a primeira beatificação na história da nossa Diocese e a segunda (após a Francisco e Jacinta) cuja celebração solene se realiza em Portugal. Deve pois ser acolhida como um dom de Deus que honra a nossa Igreja particular e a Igreja em Portugal. É o coroamento de um longo processo iniciado em 1991, pelo bispo de então, D. António Monteiro. Representa 13 anos de caminho, de investigação, de escuta das testemunhas, de ponderação dos exemplos e das palavras de Madre Rita para chegar à proclamação da heroicidade das suas virtudes, em 20 de Dezembro de 2003, por João Paulo II e, depois, à aprovação do milagre para a beatificação, em 20 de Dezembro de 2004, a saber “a cura rápida, perfeita e estável” de um senhora atingida, por doença mortal, acontecido no Brasil em 1989, por intercessão de Madre Rita.
Mediante a beatificação, a Igreja propõe à veneração e à imitação dos fiéis um fiel cristão que se distinguiu na caridade e na prática das virtudes evangélicas e autoriza o culto litúrgico a nível local para uma Igreja particular (Diocese) ou para um Instituto Religioso. Este acto é prévio ao da canonização que, por sua vez, propõe o culto litúrgico do novo santo à Igreja Universal.
“Figuras como a da Madre Rita – escreveu D.António Marto, Bispo de Viseu - são para nós um sinal de esperança neste tempo complexo e confuso que atravessamos. O seu testemunho de vida é um apelo e uma provocação a sair da mediocridade de vida, a viver a nossa fé e o nosso testemunho cristão com maior intensidade. A sua beatificação é a confirmação de que a santidade de vida é a realidade mais necessária para a qualidade humana da sociedade, das relações entre as pessoas, para uma autêntica humanização do mundo. Seguindo o seu exemplo, as nossas comunidades poderão renovar-se e contribuir para a renovação da sociedade. Penso em tantas pessoas humildes e escondidas, cuja fidelidade quotidiana é heróica”.











Comentários Recentes
Simplesmente venero.a !