Luís Lindington

Completa-se a 1 de Agosto de 2007 um século de vida do Escutismo, a maior organização juvenil do mundo, presente em 250 países e com mais de 40 milhões de membros. Do companheirismo, aventura, natureza … e da actividade escutista em Portugal fala-nos Luís Lindington, chefe máximo do Corpo Nacional de Escutas (CNE).
Luís Lindington com 62 anos foi técnico oficial de contas do Banco de Portugal, encontrando-se na reforma. Fez a promessa escutista com 11 anos, em Lourenço Marques, Moçambique, onde vivia com os pais. Tornou-se, mais tarde, chefe dos “Exploradores” (jovens escuteiros dos 10 aos 14 anos) e quando regressou a Portugal, foi essa a secção que assumiu, em Coimbra.
Segue as pisadas de Baden Powell, que há cem anos deu início a um método educativo com pontos bem precisos: a formação do carácter, a habilidade manual, a saúde e a força física e o serviço ao próximo. Itinerário formativo vivido comunitariamente num clima de fraternidade e em contacto constante com a natureza, de abertura e de convivência com convicções religiosas e políticas plurais.
Entrar num grupo escutista é aprender desde muito jovem a ser autónomo, a sair de diante do computador ou do televisor e a mergulhar em bosques e serranias, a não pensar só em si próprios. Compreende-se assim actualidade e a força da proposta escutista para as crianças e jovens do terceiro milénio.
Com 100 anos, o Escutismo continua na “moda”, contando em Portugal com 67 mil associados. “O que me preocupa – afirma o Chefe Nacional – é que todos os anos entrem dez mil novos elementos no movimento, mas haja quase outros tantos que saiam, nomeadamente nos escalões etários mais velhos. O escutismo continua a atrair muitos jovens, mas depois tem dificuldades em retê-los”.
A pedagogia escutista passa pelo jogo com regras, onde cada um tem um papel que é essencial ao sucesso da sua equipa. “O que o Escutismo propõe – afirma Luís Lindington - desde a sua fundação é que os jovens aprendam fazendo, desenvolvendo os seu próprios projectos em contacto com a natureza, o espaço privilegiado de afirmação da sua personalidade. Isto funciona em todas as idades. Seja para Lobitos, que têm entre 6 e 10 anos. Exploradores, entre 10 e 14. Pioneiros, dos 14 aos 18. Ou Caminheiros, entre os 18 e 22. A auto-educação é transversal, nunca está desactualizada”.
Tudo começou, há um século, na ilha de Brownsea, na baía de Poole Harbour, mesmo em frente do Canal da Mancha, quando Baden Powell, na altura com cinquenta anos, e depois de uma longa experiência militar sobretudo na África do Sul, realiza com 20 jovens de diversas classes sociais, o primeiro acampamento. Os 20 jovens realizam a sua “promessa” no dia 1 de Agosto de 1907.
O Escutismo chegou a Portugal em 1913. Hoje, existem mil agrupamentos em Portugal, procurando viver em grupo, pois “o escutismo quer que cada indivíduo se liberte, se conheça a si mesmo, para fazer as suas opções em consciência”.
Com a “promessa escutista” é pedido a cada jovem que se aperfeiçoe cada vez mais. Assim, a “promessa” nunca envelhece, renova-se constantemente à medida que cada jovem escuteiro vai crescendo.
Com cem anos de vida, a maior organização juvenil do mundo – e de Portugal – continua bem activa, a percorrer caminhos que antes só os pastores trilhavam e a edificar cidades de madeira, onde antes só se viam ervas daninhas.
N.M.