Jérôme Lejeune

A genética como arte de curar
A Santa Sé divulgou recentemente que deu início ao processo da causa de beatificação de Jérôme Lejeune, pai da genética moderna e responsável pela descoberta da causa da síndrome de Down.
Jéróme Lejeune nasceu em 1926, na cidade de Montrouge, França. Cresceu no seio de uma família muito unida e que lhe permitiu desenvolver as suas aptidões físicas, intelectuais e espirituais. Reconhecido, manifestou sempre veneração por seus pais, que permitiram a cada filho realizar seus talentos com toda liberdade. “A minha família foi a maior recompensa recebida na minha vida” - dizia Lejeune.
Durante os estudos, o pai, como bom pedagogo, soube orientá-lo, não no sentido de armazenar conhecimentos enciclopédicos, mas de desenvolver as suas capacidades intelectuais. Obteve assim uma sólida formação humanística, consagrando-se particularmente aos estudos de latim, grego, religião, filosofia, literatura, matemática e geometria. Concluiu os estudos secundários em 1946, tempos de guerra que a todos marcou profundamente.
Começou a estudar medicina, sonhando ser médico em ambiente rural. Isso determina, durante certo tempo, as escolhas dos estágios de formação. Mas, rapidamente, se interessou pelo enigma do mongolismo e começa a investigar sobre os mecanismos e a caracterização dessa doença. Ao aprofundar os seus estudos de genética, Lejeune estabelece como objectivo de toda sua carreira: aliviar o sofrimento, tratando - e curando - na medida do possível, fiel ao juramento de Hipócrates.
Jérôme Lejeune publicou descoberta sobre a causa da síndrome de Down e do cromossoma 21, em 1959, quando tinha 33 anos. Três anos depois, em 1962, foi designado perito em genética humana na Organização Mundial da Saúde e em 1964, director do Centro Nacional de Investigações Científicas de França.
Posteriormente foi criado por ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cadeira de Genética Fundamental facto que o tornou candidato, no seu ramo, ao Prémio Nobel. Mas a distinção nunca aconteceu, por ser acusado de se
fundamentalista e de impor a fé católica no âmbito da ciência e por se opor tenazmente ao crime do aborto e a conceitos ideológicos como o de pré-embrião.
“A fecundação é o marco da vida - escreve Lejeune. O que quer dizer que, logo que se dá a junção dos cromossomas transportados pelo espermatozóide com os cromossomas do óvulo, está reunida toda a informação genética do novo ser humano. Nada mais é acrescentado, para que o ser humano se desenvolva. A mensagem dessa junção é uma vida nova em desenvolvimento, uma vida humana. A fecundação comporta a emigração e encontro de elementos, do pai e da mãe, que já não são células dos seus corpos, mas células em transformação a caminho de uma verdadeira e irrenunciável autonomia. Deixaram de integrar os seus corpos. Esse encontro e novo caminho pode mesmo começar fora do ventre materno. O zigoto (ovo) já não é um apêndice do pai ou da mãe. Portanto, não se pode dispor dele como de um tumor a extirpar, como de um membro a dispensar. Tornou-se vida indisponível! E vida humana, perfeitamente distinta da de outro ser vivo”.
“Um único critério – afirma ainda Lejeune - mede a qualidade de uma civilização: o respeito que ela oferece aos mais fracos de seus membros. Uma sociedade que se esquece disso está ameaçada de destruição. A civilização está, exactamente, no fornecer aos homens o que a natureza não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os deserdados, ela vira as costas à civilização”.
As suas posições éticas e morais, em defesa da vida e dos indefesos, são profundamente contestadas pelos que pretendem mudar a sociedade atribuindo-se o direito de vida e de morte sobre seus semelhantes: "Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humanos já estão presentes. A fecundação é o marco da vida"
O professor Lejeune obteve, entre várias títulos, os de doutor Honoris Causa das universidade de Dusseldorf (Alemanha), Pamplona (Espanha), Buenos Aires (Argentina) e da Universidade Pontifícia do Chile. Era membro da Academia de Medicina de França, da Academia Real da Suécia, da Academia Pontifícia do Vaticano, da American Academy of Arts and Sciences, entre outras. Participou e presidiu várias comissões internacionais da ONU e OMS.
Jérôme Lejeune faleceu no sábado da Páscoa, a 3 de Abril de 1994. Nessa altura, João Paulo II destacou que “na sua condição de cientista e biólogo, Lejeune era um apaixonado da vida, chegando a ser o seu maior defensor, especialmente da vida dos não-nascidos, tão ameaçada na sociedade contemporânea”.











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Simplesmente venero.a !