Wednesday, March 5, 2008

Cardeal Stanislaw Dziwisz

O Cardeal Stanislaw Dziwisz, antigo secretário pessoal de João Paulo II, publicou uma obra que recolhe as suas memórias pessoais. O actual Arcebispo de Cracóvia revela, no livro “Uma vida com Karol”, entre outras coisas, que os médicos que operaram o Papa polaco em 1981, depois do atentado na Praça de São Pedro, tinham a certeza de que ele morreria.

O livro “Uma vida com Karol” foi escrito com a colaboração do jornalista Gian Franco Svidercoschi e passa em revista todas as fases da vida do Papa polaco, desde os anos na Polónia (1966-1978), quando Wojtyla era Arcebispo de Cracóvia, aos muitos episódios do pontificado (1978-2005). O testemunho do Cardeal Dziwisz é apresentado como um retrato “inédito e humaníssimo” de um grande Papa.

Num capítulo intitulado “Aquelas duas balas”, o Cardeal Dziwisz relembra o que sentiu quando o turco Mehmet Ali Agca atingiu o Papa a tiro, no dia 13 de Maio de 1981. “Tentei segurá-lo, mas foi como se ele estivesse a ir embora devagar” - escreveu.

Muitas peripécias e dificuldades surgidas após o atentado são relatadas: no meio da confusão, João Paulo II foi levado por engano ao décimo andar, para depois então ir para a sala de cirurgia, no nono andar. Os funcionários arrombaram duas portas para que o Papa chegasse lá mais rapidamente. “O pior – lembra D. Stanislaw -  foi quando o Doutor Buzzonetti se aproximou de mim para pedir-me que administrasse ao Santo Padre a unção dos doentes, o que fiz de imediato, mas com o coração destroçado. Era como se me tivessem dito que não havia nada a fazer”.

Algumas das passagens criaram uma natural curiosidade. O Cardeal Dziwisz indica, por exemplo, que João Paulo II assistiu em directo ao colapso das Twins Towers de Nova Iorque, no 11 de Setembro de 2001. O mais estreito colaborador do Papa polaco afirma também estar convencido de que a União Soviética estava por detrás da tentativa de assassinato sofrida por este em 1981.

Um especial destaque vai para a revelação de que João Paulo II pensou seriamente em renunciar ao cargo em 2000, por causa das suas condições de saúde, chegando a admitir mudar as leis canónicas para determinar que os Papas renunciassem obrigatoriamente aos 80 anos. “Ele chegou à conclusão de que tinha de se submeter à vontade de Deus, isto é, permanecer (no cargo) enquanto Deus quisesse”- escreveu o Cardeal Dziwisz.

O secretário pessoal de Wojtyla também revelou que, à medida que a sua saúde piorava, João Paulo II criou “um procedimento específico para entregar a sua renúncia, no caso de não conseguir exercer o ministério de Papa até o fim”.

O último capítulo é dedicado aos momentos finais da vida do Papa polaco. Particularmente comovente é o relato da colocação do véu branco sobre o rosto de João Paulo II, já no caixão: “Era a última vez que via o seu rosto – escreve D.Stanislaw . mas principalmente o seu olhar, porque era o olhar o que mais impressionava nele. Por isso, fazia tudo muito lentamente para que esse instante durasse muito mais (…). Peguei no véu branco e coloquei-o sobre o seu rosto, com medo de que esse pano de seda pudesse incomodá-lo”.

Posted by N.M. at 12:12:19 | Permalink | No Comments »