Ingrid Bentancourt
Ingrid Betancourt foi raptada pelo grupo terrorista FARC, a 23 de Fevereiro de 2002, em plena campanha para as eleições presidenciais. Permaneceu refém até ao dia 2 de Julho de 2008, quando foi libertada juntamente com outros catorze reféns. A todos impressionaram as imagens em que ela e os acompanhantes estão de joelhos no aeroporto. Nas primeiras declarações que proferiu, não se esqueceu de Deus, assumindo, sem receio, que, no cativeiro, a oração foi uma constante e a Bíblia uma companhia.
Ingrid nasceu a 25 de Dezembro de 1961, em Bogotá, no seio de uma família de tradição política. É filha de Gabriel Betancourt Mejía, ex-ministro da Educação e ex-consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), falecido um mês após o sequestro da filha. A mãe Yolanda Pulecio, é ex-congressista e ex-embaixadora na Guatemala. Ficou muito conhecida também pelo seu trabalho a favor da infância e da juventude.
Ingrid Betancourt licenciou-se no Instituto de Ciências Políticas de Paris. É analista política, especializada em comércio exterior e relações internacionais. Casou-se em 1981 com o diplomata francês Fabrice Delloye, com quem teve dois filhos, Melanie e Lorenzo e de quem se separou em 1990. Casou segunda vez com o publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte.
Depois de residir vários anos em França, regressou em 1990 à Colômbia, onde trabalhou como assessora do ministério das Finanças e do Crédito Público e depois do Ministério do Comércio Exterior.
A sua carreira política começou propriamente em 1994, ao ser eleita para a Câmara dos Vereadores de Bogotá pelo Partido Liberal. Empreendeu, entretanto, várias acções contra a corrupção, não temendo denunciar o envolvimento do presidente Samper.
Em 1998, abandonou o Partido Liberal e nas eleições de 8 de Março desse ano foi eleita senadora pelo partido Oxigénio Verde, marcadamente ecológico.
Em 23 de Fevereiro desse ano, viajou em campanha, para a região do Caquetá, onde foi sequestrada pelos guerrilheiros das FARC. A guerrilha deu “provas de vida” de Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, em Julho de 2002 e em Agosto de 2003.
Numa carta à mãe, há um ano atrás, Ingrid dizia-se “cansada de sofrer” e descrevia as condições em que vivia: “Vivo, ou sobrevivo, numa rede estendida entre duas estacas. Tenho uma prateleira onde ponho as minhas coisas, a saber, uma mochila com roupa e a Bíblia, que é o meu único luxo”.
No dia da libertação narrou o que sentiu ao avistar os helicópteros de resgate. “Devo confessar que senti uma coisa muito estranha, porque sempre que ouvíamos os helicópteros tínhamos que sair a correr”, disse. “Logo depois, houve um toque na porta e o chefe de operações disse: ‘Somos do Exército Nacional, vocês estão livres e quero compartilhar convosco esta emoção’”.
“Deus, isto é um milagre!”. Foram estas as palavras usadas por Ingrid Betancourt para descrever a operação que levou ao seu resgate. Pálida, magra, mas sorridente, a ex-candidata presidencial chegou ao início da madrugada do dia 3 de Julho ao aeroporto militar de Bogotá, onde se entregou nos braços da mãe e do marido, que aguardavam ansiosos a sua chegada, depois de mais de seis anos em cativeiro. “Esta operação é um orgulho para todos os colombianos. Não há antecedentes de uma operação tão perfeita”, afirmou a senadora franco-colombiana.
Na madrugada do dia da libertação levantara-se para rezar o terço e abandonar-se à Vontade de Deus: “esta manhã rezei o terço às 4 h pensando na minha mãe e achei que algo estava reservado para mim. Podíamos sonhar porque ouvia minha mãe e meus filhos falar nos meios de comunicação” - lembrou.
Os filhos Melanie e Lozenzo Betancourt já reencontraram a mãe. Juntaram-se naquele abraço, entre lágrimas, desejado há mais de seis anos. Em declarações ainda no aeroporto, após os beijos, abraços e lágrimas, Ingrid Betancourt foi, apenas mãe. Orgulhosa mãe. “Estão muito bonitos e na moda”. “Dou graças a Deus por este momento tão belo”. “São os meus meninos, a minha luz, a minha lua, as minhas estrelas”.
Em várias entrevistas, Ingrid tem dito que está “muito surpreendida” com a popularidade que tem e agradeceu a todos por “acompanhá-la” durante o período em que esteve em cativeiro. “Sinto que sou abençoada por Deus” - afirmou. A ex-refém tem repetido ainda que a operação do Exército colombiano que lhe deu a liberdade esteve sob a protecção da Virgem de Guadalupe: “estou convencida de que minha libertação foi um milagre da Virgem”.
Ingrid Betancourt é um hino vivo à persistência, à ousadia, à coragem, à fé. Exprime eloquentemente a força ínsita no género humano e, particularmente, no génio feminino. Certamente que a todos impressionaram as imagens em que ela e os acompanhantes estão de joelhos no aeroporto. Nas primeiras declarações que proferiu, não se esqueceu de Deus, assumindo, sem receio, que, no cativeiro, a oração foi uma constante e a Bíblia uma companhia.
Falta, agora, libertar os outros 700 reféns!