2008/02/13

Jurgen Moltmann

 

Jürgen Moltmann nasceu em 1926 em Hamburgo. Iniciou seus estudos de teologia numa situação pouco comum. Com dezesseis (1943) foi convocado pelo exército alemão onde teve, segundo as suas palavras, “uma carreira breve e sem glória”. Após seis meses na guerra, esteve preso no campo de concentração de Northon-Camp, em Inglaterra. Ali se encontravam também alguns professores de teologia que ministravam lições aos seus companheiros; dentre eles, Jürgen Moltmann. Em 1948, regressou à Alemanha onde deu continuidade nos seus estudos na Universidade de Göttingen até 1952. De 1953 a 1958 exerceu actividades pastorais em Bremen.

O mistério da vida humana tem ocupado particularmente Moltmann, nos últimos anos. No seu pensamento tudo parte da “aceitação” incondicional da vida: Isto não é só Poesia e Psicologia, isto é provado pela moderna Neurobiologia. Se as pessoas nos aceitam e nos apreciam, nós ficamos motivados; se nos recusam e declinam, ficaremos desmotivados. É muito simples, todos nós o sabemos! E a moderna Neurobiologia confirma o que a antropologia e outras ciências defendem a todo o momento”.

É muito fácil colocar em palavras o propósito de nos aceitarmos uns aos outros. Dizer é fácil, - afirma o Teólogo - mas fazer nem sempre o é. Basta recordar as pessoas portadoras de deficiências como são excluídas da nossa sociedade. Não são aceites, muitas vezes, no mercado de trabalho. Isto é desumano e faz mal a estas pessoas, podendo ficar saturadas destas situações”.

O problema da relação entre os conhecimentos científicos e o procedimento ético constitui também uma das preocupações dos seus estudos:A Ciência e a Ética não estão muito longe uma da outra. O conhecimento científico é um conhecimento especializado. Mas, por exemplo, pertence ao corpo e deve ser integrado no próprio corpo. O corpo pertence à pessoa humana. E a pessoa humana pertence à sociedade humana. E a sociedade humana tem muitos sistemas. A vida é sagrada e tem sentido ser vivida. Portanto, temos de integrar os resultados das ciências especializadas. O doente, depois de operado, deve ser integrado e viver no ambiente do seu lar e da sua experiência, como doente que tem vida. Todas as ciências especializadas devem ser inseridas num largo contexto. Neste sentido, temos vários grupos de investigação nas Universidades, como a Química, a Biologia, a Medicina, o Direito. Estudam juntos a ciência da vida”.

A Teologia e o Magistério das Igrejas concentram-se cada vez mais no que é a vida e como deve ser vivida a vida, como a raça humana pode sobreviver e o que é melhor para ela neste mundo. “Há inúmeras questões à volta do conceito da vida – comenta Moltmann - . No livro de João Paulo II, “Teologia da Vida”, há uma especial relação da teologia da vida, entre a Encarnação do Natal, da Sexta-feira ao Domingo da Ressurreição, o Espírito da Vida de Pentecostes…. As outras Igrejas, como a minha – Protestante - desejam ardentemente que a Igreja Católica realize a doutrina do Concílio do Vaticano II”.

Jürgen Moltmann foi o fundador principal da Teologia da Esperança. À luz da ciência e da teologia, é importante a interpretação que Moltamnn faz sobre a escatologia cristã. Que relação existe entre a vida presente e as realidades futuras e últimas da vida para além da morte? A nossa experiência da vida – responde o Teólogo - é motivada pelas nossas expectativas. Se não se espera nada, não se pode experimentar nada; portanto, quanto mais se espera mais experiência se adquire. Por exemplo, se um homem não esperar o amor duma mulher bonita, nunca mais a encontra. Se espera algo, encontrá-lo-á!” Em suma, a Teologia da Esperança concebe um futuro que vem de Deus e que é conhecido por antecipação, isto é, no evento Cristo é antecipado o futuro da ressurreição e de vida que Deus doa à humanidade.

Escreve Moltamann: “O temor de Deus torna o homem sábio na maneira de lidar com os conhecimentos obtidos. Deste modo, entra em cena, ao lado do ethos científico, também o ethos do procedimento técnico em relação aos conhecimentos científicos. Sábio é diferenciar entre bom e mau. Sábio é fazer dos seus conhecimentos apenas aquilo que serve a vida, mas não servir àquilo que propaga a morte”.

Escrito por N.M. em 11:01:29 | Link permanente | Comments (1) |