Chiara Lubich
Num clima sereno, de oração e de intensa comoção, Chiara Lubich, com 88 anos, concluiu a sua viagem terrena na noite de 14 de Março de 2008, na sua casa, em Rocca di Papa (Roma). O Papa Bento XVI apontou Chiara Lubich como “generosa testemunha de Cristo, que se gastou sem reservas pela difusão da mensagem evangélica em todos os âmbitos da sociedade contemporânea”.
Chiara nasceu no ano de 1920, em Trento, Itália. Da mãe, uma cristã fervorosa, recebeu a fé. Do pai, tipógrafo, não religioso, uma sensibilidade aos problemas sociais. Apesar de muito jovem, por causa das dificuldades económicas, começou a dar aulas privadas para poder continuar a estudar. Inscreve-se na Faculdade de Filosofia em Veneza, mas tem de interromper os seus amados estudos por causa da guerra.
Com 19 anos, começam os episódios marcantes da sua aventura espiritual. No santuário de Loreto, onde a tradição diz que está guardada a casa onde viveram Jesus, José e Maria, teve a intuição de que iria nascer um novo caminho na Igreja, segundo o modelo da família de Nazaré e que muitos a iriam seguir.
A 7 de Dezembro de 1943, Chiara Lubich, com 23 anos, consagrou a sua vida para sempre a Deus, como resposta à descoberta fulgurante do Seu amor que se revelou precisamente no clima de ódio da Segunda Guerra Mundial. Para os refúgios, no meio dos bombardeamentos, com as suas primeiras companheiras, levava unicamente o Evangelho. “Aquelas palavras – é Chiara quem escreve – pareciam iluminar-se com uma luz nova. Percebemos que tínhamos nascido para aquela página! Intuímos que iria nascer qualquer coisa de universal que iria chegar até aos confins da Terra e que iria iluminar a arte, a ciência, a política e a economia. Tínhamos a certeza de que Deus iria conduzir a nossa vida para uma aventura divina, até então desconhecida, onde, simultaneamente espectadores e actores do seu plano de amor, iríamos dar momento a momento, o contributo da nossa livre vontade».
Chiara e as suas primeiras companheiras descobremno mandamento do amor recíproco o coração do Evangelho. No testamento de Jesus “Que todos sejam um”, o plano divino de unidade universal e o objectivo das suas vidas. Em Jesus crucificado que, na cruz, chega a gritar o abandono do Pai, a medida do amor recíproco e o segredo para compor na Terra a unidade que faz nascer a presença espiritual de Jesus prometida por Ele a “dois ou mais reunidos no seu nome”, isto é, no seu amor.
Esta corrente de espiritualidade revela-se cada vez mais universal, porque o amor e a unidade estão no coração de todos os homens. É a partir desta nova vida, vivida por pessoas de todas as idades, categorias sociais, culturas, raças e crenças, não só leigos mas também sacerdotes, religiosos e religiosas, que nasce o Movimento dos Focolares.
Difundido em 182 países, nos 5 continentes, o Movimento dos Focolares, tem a fisionomia de um pequeno povo composto por pessoas de várias etnias, culturas e categorias sociais. O objectivo é contribuir para a unidade da família humana através do diálogo interreligioso, ecuménico, com pessoas sem referências religiosas, no seio das igrejas cristãs e nos vários âmbitos da cultura, política, economia, comunicação, arte e ciência. Os membros são 140.000. Os aderentes, mais de 2 milhões. Em Portugal conta com cerca de 2.000 membros.
Permanecendo uma única obra, foram nascendo várias ramificações, entre as quais se distinguem os movimentos de largo alcance: para a renovação da família (Movimento Famílias Novas), da sociedade (Movimento Humanidade Nova), do mundo eclesial (Movimento Paroquial e Diocesano, Movimento dos Religiosos e das Religiosas), para responder às exigências dos jovens (Jovens para um Mundo Unido) e Movimento Juvenil para a Unidade.
O Movimento para uma Economia de Comunhão promove a elaboração de uma reflexão inovadora para um novo equilíbrio económico mundial, caracterizada pela reciprocidade entre teoria e praxis.
O Movimento Politico para a Unidade assume a fraternidade como categoria política, que deve ser actuada de forma transversal entre as diferentes forças políticas, em função do bem comum.
Nasceram, nos vários continentes, cidades em miniatura, com casas, escolas, empresas, com características diferentes consoante a cultura onde estão inseridas. Pelo estilo de vida que propõem, oferecem um modelo de sociedade baseado na fraternidade. A primeira e mais desenvolvida é a Cidadela de Loppiano, perto de Florença, em Itália, com mais de 800 habitantes de 70 países diferentes. No mundo existem 35 cidadelas em desenvolvimento, entre as quais a Cidadela Arco-Íris, no concelho de Alenquer, em Portugal.
Desde 1977, faço parte desta grande família do Movimento dos Focolares. Partilho com todos vós a minha profunda gratidão a Chiara Lubich.











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