Terça-feira, Fevereiro 3, 2009

O Bom Papa João XXIII

Ângelo Giuseppe Roncalli nasceu a 25 de Novembro de 1881 na cidade de Sotto il Monte, diocese eprovíncia de Bérgamo, Itália.

Apesar da oposição de seus pais – que entendiam que a opção de ingressar no Seminário se devia à pouca vontade de trabalhar e de os ajudar no trabalho duro do campo - Ângelo sentia uma grande vontade de estudar e estabelecer para si uma meta precisa. “Queria ser padre!”.
Em Outubro de 1892, apenas com 11 anos de idade, entra no seminário de Bergamo. Seguidamente, inicia o estudo da Teologia, mas, um ano após a sua chegada a Roma, Ângelo Roncalli teve de interromper os estudos para cumprir o serviço militar.
Terminada a licenciatura em 13 de Julho de 1904 e nesse mesmo ano foi ordenado sacerdote. Celebra a sua Primeira Missa na Basílica de S. Pedro, com o coração a transbordar de amor à Igreja.
Foi capelão no exército italiano na Primeira Guerra Mundial. Depois do conflito, em 1920, o Papa Bento XV nomeou-o director do Conselho Italiano da Obra da Propagação da Fé, onde mostrou toda a sua capacidade de organização.
Após a morte de Bento XV, o seu sucessor, Pio XI confiou-lhe a uma nova missão e, em 19 de Março de 1925, o padre Ângelo Giuseppe foi ordenado bispo, escolhendo como lema episcopal: “Obediência e Paz”.
Representou o Papa como visitador apostólico na Bulgária, tarefa bem difícil que lhe trouxe algumas tribulações, mas com a sua humildade, afabilidade e atitude de serenidade perante as outras religiões e os irmãos separados, conseguiu superar estas divergências, optando pelo que une e não aquilo que divide.
Em 1953, foi nomeado cardeal e Patriarca em Veneza. Aí viveu a humildade como os humildes, não com o privilégio de quem tem uma elevada posição social e religiosa, mas com a atitude natural dos homens de Deus, que dedicam a sua vida ao serviço da humanidade.
Foi grande incentivador do movimento ecuménico, dialogou com as igrejas ortodoxas, mostrando grande compreensão e diplomacia.
Em 28 de Outubro de 1958, o conclave elegeu-o como Papa com 77 anos de idade, escolhendo o nome: João XXIII. Foi uma surpresa, pois o mundo esperava um Papa jovem, no entanto o “Papa Bom”, apesar de ser idoso, marcou o seu pontificado com a humildade e simplicidade de um verdadeiro Pastor, que com o coração cheio de bondade, fez com que os cristãos se sentissem realmente povo de Deus, irmãos, filhos do mesmo Pai bondoso.
No dia 3 de Junho de 1963, morreu em Roma com a serenidade de quem, mesmo nos momentos extremos da vida deu ao mundo uma lição de fé e de esperança. Foi beatificado a 3 de Setembro de 2000, por João Paulo II.
Nos poucos anos do seu pontificado, João XXIII marcou uma nova era de renovação e modernização para a Igreja, espalhando a ideia de que esta devia intervir construtivamente em assuntos económicos, políticos e sociais, colocando o Evangelho acima de todas as opiniões e de todos os partidos que fragmentam a sociedade.
Das oito encíclicas de João XXIII, duas revelaram-se como verdadeiros instrumentos desta renovação, e tocaram mais particularmente a opinião pública:   “Mater et Magistra”, sobre a questão social e “ Pacem in Terris”, cujo tema fundamental, nove vezes retomado, é o seguinte: “A paz entre os povos exige: a verdade como  fundamento, a justiça como norma, o amor como motor, a liberdade como clima”.
A ideia de reunir em concílio todos os bispos espalhados pelo mundo, para dar à Igreja, uma nova vitalidade evangélica, foi a grande preocupação do seu pontificado. O momento era propício. Era necessário, após a guerra, continuar a reflexão começada no Concílio Vaticano I, só assim seria possível integrar os cristãos na sociedade, dando-lhe espaço e liberdade para testemunhar mais e melhor a Jesus Cristo.
Os três objectivos conciliares foram: a abertura da Igreja ao mundo moderno, a unidade dos cristãos, a presença activa da Igreja no campo ecuménico e na atenção especial aos pobres, em estrita fidelidade ao Evangelho.
Foi graças a este Pontífice, que a Igreja se abriu ao diálogo com os irmãos separados e promoveu a unidade, a estima e o respeito com todos aqueles que seguem religiões não cristãs. A um seu colaborador próximo, visivelmente surpreendido por ver muçulmanos sentados à mesa do patriarca de Veneza, o cardeal Roncalli disse: “Olha Guido, se eu pertencesse a numa nação islâmica, hoje seria um bom muçulmano. Também eles são filhos do único Pai, que está nos céus”.
“Ajudai-me a morrer como convém a um Papa”, foi uma das últimas frases proferidas pelo Santo Padre João XXIII.
 No dia 3 de Junho de 1963, dá o último suspiro. Na Praça de S. Pedro, a multidão mantinha-se em oração, olhando com tristeza a janela do terceiro andar, onde se encontrava o Papa.
Morreu o profeta da paz, dotado de uma profunda humildade marcada pelo Evangelho, que o transformou num verdadeiro mensageiro do amor cristão.
João XXIII, deixou-nos duas pequenas frases que são um legado para o mundo e verdadeira marca de vivência cristã de um homem, que dá a vida pelas suas convicções e cuja bondade é reflexo do amor de Deus: “Lembrai-vos -  gostava ele de repetir - é preciso, acima de tudo, descobrir o lado bom de cada pessoa” e, ainda, “o mundo caminha, temos de olhar para o seu lado bom, com espírito sempre jovem e confiante e não perder tempo a fazer comparações. Eu prefiro manter o ritmo de quem caminha, em vez de me deter, deixando que me ultrapassem.”

Nuno Almeida

Publicado por N.M. em 00:25:24 | Permalink | Sem Comentários »